São cinco e quarenta da tarde. A noite anuncia a sua chegada e o céu tá pintado de um laranja cinzento. Nesse pequeno povoado, no interior do nordeste brasileiro, essa é a hora em que os pássaros começam a se acomodar nas árvores. Um som habitual, que se mistura às passadas de crianças que saem da escola, de carros que transportam trabalhadores de volta pra casa. Um som que se escuta todo dia e que muitas vezes soa até relaxante. Aparentemente não tem nada de errado. E talvez não tenha mesmo. Só que no meio dessa cantoria toda, uma ave se destaca.
A gente tá ouvindo um pássaro que é cientificamente chamado Tapera Naevia, mas que a depender da região do Brasil, pode ser conhecido popularmente como peixe-frito, tempo quente, crispim, fenfem, entre outros nomes, que de alguma maneira imitam a sonoridade do pássaro. E aqui, onde cresci, ele é conhecido como buraco-feito. O que quase não muda de um lugar pra outro é que o som desse pássaro anuncia um mau presságio, sendo mais direto, ele avisa que alguém vai morrer.

Obrigado Leni. Era muito importante ouvir esto episódio sobre doenças e a mortalidade. Eu se que não e fácil encontrar estas, mais voce faz um episódio forte e importante. Precisa muita coragem.
Obrigado!
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