5.10 Por que tantas crianças sem pai no Brasil?

Amazônia. Uma região de matas, rios e muitos mistérios. Berço de histórias que representam a criatividade e o misticismo dos povos ribeirinhos. Narrativas que podem ser bem locais, conhecidas apenas por quem mora por ali; ou populares a ponto de viajarem todo o Brasil, pegando carona em livros, músicas e novelas. E esse é o caso da Lenda do Boto

O boto é o maior golfinho de água doce do mundo. Ele tem uma coloração avermelhada e, na Amazônia é chamado de boto vermelho, mas no resto do país é conhecido como boto-cor-de-rosa. Um animal inteligente, brincalhão e geralmente solitário. Raramente é visto em grupos, exceto durante o período de acasalamento. Vive nas bacias dos rios Amazonas e Solimões, podendo aparecer também na Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.

O boto foi classificado pela União Internacional para Conservação da Natureza como um animal ameaçado. É que sua carne pode usada como isca para a captura de um peixe que alimenta-se de restos de animais em decomposição, a Piracatinga. Por esse motivo, desde 2015 a pesca e comercialização da Piracatinga é proibida. 

A lenda do boto diz que, nas noites de lua cheia, mais frequentemente nas festas do mês de junho, o golfinho se transforma num homem bonito e charmoso. Ele deixa a água por algumas horas e sai em busca de uma mulher. Nos bares e bailes das comunidades ribeirinhas, o boto (na sua forma humana) dança, se diverte, e sempre acaba a noite seduzindo alguém. Essa relação intensa e apaixonada ficará marcada por uma gravidez, gerando uma criança que nunca conhecerá o pai. Porque depois daquela noite, aquele homem jamais será visto.

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