Fala, gringo! Fala, gringa! Como diz o ditado brasileiro, quem é vivo sempre aparece. Eu estou devendo, é verdade, um episódio a vocês há muito tempo. Mas eu prometi que essa temporada vai ter quinze episódios, então ela vai ter quinze episódios, custe o que custar e quanto tempo custar.
Quando se fala sobre a diversidade etnocultural do Brasil, dos diferentes povos que formaram a nossa sociedade, a gente coloca muita gente nesse balaio: africanos, trazidos como escravos de diferentes países; europeus, sobretudo, portugueses no início da colonização, e depois os italianos e alemães; e, claro, os povos originários do Brasil, os indígenas.
Mas você sabia que, fora do Japão, é no Brasil onde se encontra a maior população de japoneses e descendentes de japoneses do mundo? Essa onda imigratória ocorreu entre o final do século IXX e início do século XX e aconteceu por motivos bem simples: O Brasil precisava de mão de obra e o Japão estava em crise. O que não foi simples de maneira nenhuma foi a adaptação desses imigrantes por aqui.
Nesse episódio, a gente vai passear um pouco por essa história, entender como foi essa chegada, os choques culturais e quais são as heranças deste acontecimento pra sociedade e para algumas cidades brasileiras. Vamos nessa?
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Nihonjin e as histórias esquecidas dos nipo-brasileiros
Segurando uma pequena fotografia em preto e branco, as bordas cortadas em pequenas ondas pontudas, mais uma entre tantas fotografias igualmente antigas; um jovem rapaz observa uma mulher baixa e magra, quase que encolhida ao lado do marido. Na foto, ela usa um vestido claro abotoado até o pescoço, e uma calça amarrotada. Na cabeça, um lenço para se proteger do sol. Está pronta para o trabalho. Seus olhos assustados não encaram a câmera, embora ela olhe para a frente.
Era Kimmie, a primeira esposa do seu avô. Tudo que ele sabia sobre essa personagem eram informações vagas, narradas pelo patriarca, que a essa altura já não tinha a memória mais confiável. O avô falou que Kimie era mais medrosa e mais fraca que sua segunda mulher, que não servia para o trabalho duro nas lavouras, que mal falava, e que não fazia nada direito. Tão boba a ponto de esperar cair a neve em pleno solo brasileiro.
